quarta-feira, 9 de março de 2016

Doa a quem doer


Dói porque estou vivo. E o corpo vivo reclama do esforço diário, pois o nervo em si não compreende o fruto que virá depois de tal trabalho dispensado.

Dói porque o coração sente coisas que não consegue exprimir. Ele mesmo fica espremido diante da complexidade da vida, da frustração, do absurdo. Diante da total impossibilidade de expor plenamente o que nele se processa.

Dói porque a mente é incapaz de sempre satisfazer situações. Está fadada à exaurir-se sempre, para que, na doída experiência da imperfeição, vá se aperfeiçoando. Sobretudo quando compreende que a maior dor é não aceitar seus limites.

Dói porque o trato cirúrgico do Espírito não pretende anestesiar, antes, aprofundar a sensibilidade da alma. A expansão da consciência é um parto contínuo, feito das rupturas de estruturas, que então sólidas até o momento, se desconstroem para o nascimento de outro eu. O eu-doído é o eu que se aproxima de ser doido, para então ser somente eu de verdade.

Dói porque nenhuma vivência, experiência, entendimento e pacificação se furta ao enfrentamento. Tudo colide, tudo se abala, tudo cai. E só então, tudo se ergue e se faz novo mais uma vez.

Doa a quem doer. 

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