segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Idas e vindas no evangelho

O significado último da vida de Jesus tem sido materializado através de uma palavra que nem aparece em seus lábios: "missão" – ou "missões".

"Missões" carrega em si uma série de procedimentos, logística e treinamento que, no fim último, parecem tornar o evangelho uma prática profissional.

Mas, quando falamos de Jesus, falamos de um Homem que não tinha onde reclinar a cabeça, servido pela espontaneidade de recursos, cercado de gente simples, movido por compaixão e graça.

Nosso problema – numa comparação óbvia – está em ainda entender o evangelho com as categorias fixas da religião – contra as quais o mesmo Jesus lutou.

Paulo e a igreja primitiva tinham circunstâncias diferentes das nossas, claro. Um mundo instável, fortemente supersticioso e seres humanos extremamente afeitos a religiosidade.

Mas se engana quem pensa que o mundo foi evangelizado somente por Paulo.

Temos um ambiente cultural diferente. Vivemos num mundo judaico-cristão.

Que, por ser cristão, deveria bastar-se.

Mas, pra além do judaico, o que há são as estruturas do cristianismo.

E estas, ironicamente, é que justificam hoje a necessidade do evangelho.

Posto que as palavras de Jesus não são estruturas, mas Espírito e vida. E a vida é movimento pulsante. O Espírito não possui itinerário.

Assim, a Igreja envia porque é de sua natureza – como o é na de Seu Mestre – seguir em movimento. Igreja não é um lugar pra ir – é encontro. Todo encontro-igreja se dá na vida, no dia a dia, no caminho.

Toda relação de um cristão é um culto, e todas as suas palavras e atos são "evangelizações" do Espírito.

Assim, mesmo que se some esforços em logística, missão não é nada mais do que um meio. Um instrumento, entre tantos outros.

Neste seguir ninguém é excluído, porque a mensagem do evangelho é a própria necessidade de ir a Jesus em todo tempo. É receber Jesus e voltar para compartilhá-lo com outros.

Idas e vindas no evangelho, sempre.

Portanto, o chamado é contínuo, individual e intransferível. Não se delega uma relação pessoal a outro.

Quem de Jesus é, por Jesus vive.

O carrega consigo enquanto é carregado nessa vida por Ele.

E isso é mais que "missão", é encarnação de Cristo em nós.

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