quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Sobre dormir e comer

Parece que na vida tudo se alterna. Abre-se a boca na fome, fecha-se os olhos no sono.

Numa hora a alegria é partir pra dentro. Noutra, a tristeza é ter que cair fora.

E assim, dormir e comer estranhamente explicam porque na vida tudo é tão inesperado e contraditório.

Comer é um prazer que tem limite no espaço. Já dormir, esbarra sempre no tempo.

E de pratos e sonhos o mundo tá cheio.

Mas nem todo mundo tem estômago pro belo. Não é todo mundo que enxerga sabor.

Ir dormir, muitas vezes, é o anseio pelo aconchego. O cheiro gostoso da paz do travesseiro. Abraçar as cobertas até beijar a lona. Capotar no silêncio dos barulhinhos do sono.

Ir comer, com certeza, é a satisfação do encontro. Salivar as carícias de temperos na boca. Um prazer molhado a bocados salgados e doces. Do azedinho e do amargo. De brincar com as misturas, virar os olhos com delícias e descansar nas bordas da mesa.

Do colchão ao garfo, é assim que se mede o que é gostoso na vida.

Comida boa é como um sonho: você não quer que acabe. Sono bom é como uma refeição: a gente sempre quer repetir.

E quando se encontra um alguém tão bom assim?

A gente diz que é de encher os olhos e que quer dormir agarrado.

Mas também se perde o apetite e se sonha acordado.

Porque comida e cama a gente até deixa de lado. Mas gente assim desse jeito a gente não quer largar nunca.

Por isso, todos os dias tenho fome, todos os dias tenho sono.

E, todos os dias, quero ter você.

Quem sabe dormir, sabe sentir. Quem sabe comer, sabe viver.

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