sábado, 8 de dezembro de 2012

E Deus se fez ... menino?

“Um menino nos nasceu ...”, assim anuncia a profecia sobre o Cristo que viria ao mundo (Is 9.6). Natal é época em que a história de Jesus é de novo lembrada pela humanidade. O “menino Jesus” vira suvenir de mercado e o pagamento anual de isenção de consciências culpadas. Contudo, o impacto da encarnação de Deus entre nós é muito pouco compreendido.

No Menino, Deus instituía historicamente uma relação de salvação baseada no paradoxo. “Da boca dos pequeninos suscitaste força” (Sl 8.2) – de uma criança de peito se levanta a fortaleza para esmagar impérios infernais. Sob a impotência da mais frágil condição humana, o Criador faz surgir o triunfo sobre principados e potestades, tronos e soberanias. Eis o doce sarcasmo divino: “a fraqueza de Deus é mais forte que os homens” (1Co 1.25).

Cristo, Menino-Homem-Deus, era o emblema do ato mais chocante do Eterno. O infinito habita o limítrofe e o finito é tomado de imensurabilidade. O Menino é o evangelho encarnado na mais pura verdade do Verbo: da menor das sementes se ergue a árvore mais frondosa, que é capaz de abrigar multidões sob sua sombra (Mc 4.31). Desde então, a inversão absoluta de valores se estabelece. A relação entre Deus e homens se faz eternamente absurda.

Arrependei-vos, porque é chegado o Reino! Reino em que o menor de todos é que é grande (Lc 9.48). Onde o pobre é rico, o faminto é farto e o que chora, sorri (Lc 6.20-21). Reino sem território geográfico, sem aparato constitucional, jurídico ou econômico, mas espalhado em amor nos corações pela face da terra, pulsantes de vida abundante. E das sentenças mais surpreendentes se diz a mais maravilhosa: aquele que não recebe este Reino como uma criança não pode entrar nele (Mc 10.15).

O Deus-Menino é o susto que denuncia a loucura e escândalo de toda via de pensamento humano. É o enigma que faz do objeto de morte cruciante o ato final da glorificação rediviva. É o fim que nos faz voltar sempre ao começo. É o organismo que desfaz inimizades e preconceitos, em que cada um é um em Cristo e Cristo é tudo em todos (Cl 3.11). E pra confundir ainda mais a cabeça dos que se julgam sábios, é “o Cordeiro que foi morto ANTES da fundação do mundo” (Ap 13.8).

Deus nos abençoe no amor de Cristo.

1 Comentário:

Brunna Stefanya Leal Lima Cabral disse...

Como sempre amigo: Arrasou!
Abraços

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