sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Jesus do Caminho

Jesus tem sido uma experiência transformadora para milhões de pessoas na história deste mundo. Tanto na vida como na morte, o mais conhecido de todos os judeus possui incrível capacidade de atração. As palavras que proferiu têm provocado admiração e controvérsia em todos os seguimentos de sociedade humana. Seus ensinos tem sido referência para incontáveis estilos de vida. Suas reações às situações presentes no dia a dia têm inspirado instituições, ideologias e indivíduos, além de gerar debates diversos. E sua morte como malfeitor tem sido o emblema mais forte de sua existência, provocando tanto convicção quanto ceticismo.

O fato é que, incontestavelmente, não há acaso algum no trato da história ocidental para com Jesus de Nazaré. Passados mais de 2 mil anos, Jesus permanece sendo uma bifurcação de caminhos, um eixo definidor de vivências. Em seu nascimento, dividiu a história humana e estabeleceu-se nela como “vértice”, de modo que o tempo-espaço que todos conhecemos converge para Ele. Nele, pensamento, ação e intenção tornaram-se revolucionariamente um. Ateus e apóstatas, fanáticos e fiéis, mesmo sem se dar conta, vivem a vida diária em função de sua passagem histórica entre nós. O pobre e desprezível judeu, nascido no tempo do antigo Império Romano, continua dando significados à existência de nosso mundo hoje. Quer queiramos ou não, Jesus não foi. Ele é.

É em Sua morte, porém, que tal impacto é mais amplamente sentido. Morte que se mostra ambivalente, como tragédia e glória deste Jesus. Na cruz, tal força encontra a debilidade de um fim precoce. O Rabi dos gestos e palavras surpreendentes, que calava eruditos e maravilhava multidões, é condenado em meio ao desprezo e vergonha. Laceração, escárnio e sangue vertem num espetáculo exposto sem censura. Bem assim, esta mesma morte tornou-se a mais pública de todas as suas histórias e nenhuma outra revestiu-se de tamanha dimensão. Nada possui mais da substância do espanto: seguidos três dias, onde jaz Jesus? O escândalo é afirmado e a sabedoria humana é mais uma vez confundida: Ele ressuscitou. A morte, em meio à Sua morte, morre. Nela, Jesus divide não cronologias ou crenças religiosas. Não. Esta morte é o argumento final contra a nossa utopia diária. É a divisão da humanidade nela mesma. Nela, o que é humano morre. O que é divino permanece.

Para além das conjecturas, foi estabelecido pela vida e pela morte o que Jesus diz de si mesmo. Ele é tão somente o que afirma ser: “Sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6). Verbo encarnado na linguagem grega, Emanuel na linguagem judaica – Ele é o elo entre o visível e o invisível, entre o mortal e o eterno, entre a criatura e o Criador. E agora, numa história que transcende a História, Elo entre morte e vida. Daí, então, se torna simplesmente impossível admitir o que Ele fez – seja por via histórica, filosófica, sociológica ou qualquer outra – sem crer no que Ele disse. Eis o vértice de definição. Sendo Jesus quem é, sua humano-divindade lança um novo caminho de existência – o Caminho de Jesus. Da vida para a morte e da morte para a vida: d’Ele para o Pai e somente por Ele. N’Ele o caminho, por Ele a verdade, com Ele a vida. E este é o Jesus do Caminho (At 24.14). Fora d’Ele, sem Ele e contra Ele só restam mesmo as conjecturas.

Portanto, se Jesus não ressuscitou, Ele não era Deus. E se Ele não era Deus, não era nada mais que um embusteiro mentiroso. Mas tão certo como vida e morte, em Jesus, o caminho não tem atalho, a verdade não se relativiza e a vida não morre. Ele é O Caminho, A Verdade e A Vida. É fato que cada um de nós traça o seu próprio caminho, vivido, por vezes, entre verdades mentirosas e verdadeiras mentiras. Contudo, Jesus, pela realidade da vida e incontestabilidade da morte, estabeleceu-se de uma vez por todas como O Caminho. E a partir d’Ele, caminho, verdade e vida se tornam maravilhosamente um. Não sobra espaço para a inércia. Nas palavras de Caio Fábio: “Esse é um princípio universal para a alma de todo homem: o único caminho é o da verdade e é somente a verdade que realiza aquilo que se pode chamar de vida”. Diante disso, a humanidade é ressignificada de maneira plena. Ser humano só se torna possível no Ser de Deus. E eu hoje, pela fé nas palavras e atos do Eterno Jesus de Nazaré, ouso confessar sem atalho, relativismo ou morbidez: só existe vida de verdade no Caminho.

Deus nos abençoe no amor de Cristo.

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