quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Pescador de homens

Nunca tinha reparado neste termo antes, talvez pelo fato de estar familiarizado com ele desde criança através de um daqueles corinhos que a gente aprende na EBD. Mas, agora, confesso que penso muito sobre ele.

É claro que você se lembra dele também, não é? Está registrado em duas passagens dos evangelhos (Mt 4.19 e Mc 1.17). Ao chamar seus dois primeiros discípulos – Pedro e André, que estavam pescando no mar da Galiléia – Jesus os desafia a deixarem suas redes e se tornarem “pescadores de homens”. Mas, afinal, o que chama tanto à atenção neste termo assim?

“Pescador de homens” é o mais antigo título pelo qual o ofício ministerial é descrito nas páginas do Novo Testamento. Esse título tem raízes mais profundas do que os de pastor, bispo, presbítero, ou diácono. Por isso mesmo, vejo o termo como um emblema que deveria ficar impresso na mente de todo ministro do evangelho, e porque não dizer de todo cristão?

Assim, o pastor não é um mero palestrante, ou um terapeuta religioso, ou ainda um administrador de ordenanças sagradas. Não. Jesus declara antes de tudo – como que tomando aquela cena como a sua primeira parábola – que todo ministro do evangelho e cada um de seus discípulos é um “pescador” de almas!

Não pude deixar de imaginar as implicações deste chamado especial em minha vida. Imagens e desafios tomaram-me de surpresa e fui levado a meditar aqui como quem senta à beira da praia. Passei então a pensar neste “homem pescador de homens”, como se o estivesse vendo em minha frente, apanhando suas redes e saindo em seu barco da praia para a pesca.

Permita-me descrevê-lo: como pescador, ele mergulha sua vida naquilo que faz. Lança a si mesmo resoluto à labuta e se esforça ao máximo para apanhar peixes. É diligente e redobra as suas forças, fazendo de tudo para lograr êxito. Como pescador, possui uma casa, mas sabe que a sua vida é o mar. Mar de uma vida inteira de experiências e experimentos. Aonde sabe que vai, mas não sabe quando ou mesmo se volta. Como pescador, convive com a incerteza, solapado pelas ondas. Prova o calor do dia e o relento da noite. E se torna valente, sorridente, homem de valor.

Testado nas fadigas do mar e alvejado pela solidão da profissão, ele não perde a esperança. Continua a trabalhar dia após dia, aguardando e se esforçando. E se mostra paciente, estende suas redes e compreende. Entende que o mesmo mar que leva centenas de trabalhos traz também consigo cardumes de recompensas. Como pescador, conhece tanto a tristeza da partida como a alegria da chegada. Aprende que o mar lhe é tudo aquilo que têm e tudo aquilo que quer, pois só o mar lhe revela aquilo que lhe falta e aquilo que lhe farta.

Sim, penso que seja mesmo isso o que Jesus nos convida a ser também. Em um mundo onde o conforto pessoal, o evangelho de vida fácil e a felicidade instantânea nos são vendidos num “tsunami” tão distorcido como destruidor, somos desafiados a remar “contra a maré”. Somos chamados a nos entregar às redes e a nos lançar ao mar, por amor não à nós, mas aos homens perdidos. Confiando não em nosso braço, mas no Âncora de nossas almas (Hb 6.19). Chamados sim, até que um dia, deixando na praia as redes e o barco, possamos atracar para sempre no “Porto Celeste” e encontrar ao fim de nossa linha de pesca a mão do próprio Senhor Jesus a pescar homens através de nós!

Deus nos abençoe no amor de Cristo!

3 comentários:

miriam disse...

Muito interessante o texto,Herisson!

Sabe o que me chama a atenção nas duas passagens bíblicas? O modo como os discípulos prontamente seguiram a Jesus.
"E, deixando logo as suas redes, o seguiram." (Mc 1.18)

Então quando receberam o convite: "Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens" (Mc 1.17), eles prontamente seguiram...

Quantas vezes recebemos o chamado para sairmos do conforto, dos bancos da Igreja e somos convidados a levar a Palavra de Deus para outras pessoas, para trabalharmos na Sua obra e simplesmente preferimos viver o "evangelho de vida fácil", como você citou. Mais cômodo,não é verdade?

Mas não é o que Deus quer de nós!

Tenho pedido a Deus que me dê "ousadia" para ser "usada" na sua obra. Para que eu esteja disposta a fazer o que seus discípulos fizeram, atendendo ao seu chamado.

A descrição que você fez do pescador é incrível!
Que estejamos dispostos a trabalhar realmente como "pescadores de homens".

Que Deus te abençõe sempre, meu irmão!

Landstayner disse...

Ponho a me perguntar quantos de nós verdadeiramente estamos dispostos a ser pescadores de almas ou de homens, já tinha me colocado a pensar e a ver o quanto ainda falhamos, o quanto não acreditamos quando Jesus nos manda jogar a rede e nós o perguntamos aqui Senhor? Quantos amigos meus continuam nas drogas, prostituição, ainda não conhecem a Cristo pq um dia eu disse aqui Senhor? Somos e continuaremos sendo falhos, mas temos um Deus tão maravilhoso que mesmo não sendo merecedor de tua misericordia Ele nos chama de filhos e diz vai que bom que O escutamos.
Muito obrigado Deus por usar teu servo para trazer a palavra que Tu desejas, continua sendo usado e ousado meu irmão.
Esse é o nosso papel aqui na terra.

matheus s. duarte disse...

me arrepio dos pes a cabeça quando ouço esse versículo.

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