quinta-feira, 15 de março de 2018

2018 do Brasil

Venho aqui fazer uma previsão. Previsão cujo diagnóstico não exige nenhuma percepção incomum, é a verificação dos fatos. O país em que vivemos está para alcançar um estopim político, fruto das desavergonhadas sandices das “vossas excelências”, na frustrante realidade hoje posta sobre nós.

O que virá é a inescapável polarização. As eleições serão uma “copa do mundo do poder”. Os discursos políticos bradarão como gritos de torcida organizada. Partidos em guerra à caça de eleitores. Com a crescente conscientização política do povo brasileiro, veremos candidatos seguindo caminhos muito distintos, numa encruzilhada de ideias somada à pauta de “temas de sempre”. Enquanto isso, a discussão séria sobre o real momento ético ficará fora do jogo. Assistiremos no campo a jogadores individualistas e uma nação divida.

Porém, faço esta óbvia previsão para dar ocasião a um pedido simples. Diante do que virá, não se deixe sucumbir ao partidarismo. Faça suas escolhas, defina suas preferências políticas e saiba sustentar suas ideias. Mas não se entregue a movimentos supérfluos, não compre brigais mortais, não se desfaça de amigos por divergências de pensamento. A vida real é muito mais que orientações políticas, onde, para bem de uma democracia, deveria haver constante alternância no poder. No entanto, poder e política são frequentemente manobrados pelos oportunistas e inflamados pelas paixões ensandecidas de um instante.

Fazemos as escolhas, mas as escolhas acabam nos fazendo também. Não esqueça disso. Mais importante que não ficar calado agora é não tapar os ouvidos. Ser livre é caminhar, seja ao lado do outro, seja passando por ele. Contudo, liberdade é dar a si os melhores limites. O momento crucial da vida política do país se define em nós também. Em todos, cada qual a seu modo. Não se perca no 2018 do Brasil.

“Nunca se mente tanto quanto antes das eleições, durante a guerra e depois da caçada” - Otto Von Bismarck.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Guerra Declarada: "Omo Fobia"

Siga este link para ver o vídeo comentado abaixo

É a “apologia da fé” como projetor político. Eles são todos "infelicianamente" iguais, no papel de "voz do que clama no deserto" defendendo o nicho eleitoral e eclesiástico. Marcos Feliciano não me representa. E digo o porquê.

Acho que, ao falar de “defesa”, nos vem à mente textos como “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 3). Sim, a nossa existência é feita de embates; possuir caráter é defender princípios. O próprio Jesus não teve medo de atacar os líderes que abusavam da lei e, pelo próprio significado do evangelho, denunciou ideologias, modismos e práticas de exploração.

Contudo, não vejo Jesus declarando guerra contra Roma - o devasso, corrupto e idólatra Império Romano. Não encontro nada em Jesus que apoie uma “militância da fé”. Digo isso porque vejo todos os dias Deus ser defendido à “pancadas” de argumentos. A despeito disso, a vida humana foi, é e sempre será caída neste mundo. E o Reino d'Ele não é nem jaz aqui.

Muito já se articulou em discursos e projetos de transformação da sociedade na história da cristandade - até pela via da tomada de poder. Entretanto, frequentemente foi esquecido que o convencimento é ação pura do Espírito.

Portanto, não é negligenciar os meios, não se trata de se acovardar. Trata-se, isso sim, de não se deixar sucumbir ao espírito do ódio, da lei do olho por olho, do querer fazer fogo cair do céu. É se submeter à ação do Vento, dirigido pelo amor do evangelho. O evangelho sou eu pacificado, até mesmo quando sou guiado como ovelha muda perante os meus tosquiadores.

Por isso, como de fato falou Luther King, não podemos ficar calados, mesmo quando o mal se traveste do “bem”.

domingo, 20 de março de 2016

A Bíblia, as Escrituras e a Palavra

Quando a Bíblia não é sagrada, os olhos passam a ler a Palavra no universo. Pois, há muito, ela afirma que os próprios céus tornam a glória de Deus manifesta.

Tudo passa a ser texto, sem voz nem palavras, mas que pode ser ouvido como sabedoria da vida, ciência de entendimento e lei de conduta. Pois tudo n'Ele foi criado, tudo n'Ele subsiste, e mesmo na face deformada que sustenta, a criação caída ainda se faz ouvir, clamando nos estertores de seu gemido.

Tempo e espaço viram sopros de vida na consciência. Cada passo é palmilhado como revelação de Deus ao coração humano, que O percebe, mesmo na experiência mais absurda, em que Ele lhe pareça totalmente inacessível.

Então se descobre que a letra, como dito, mata, posto que só no espírito é que existe vida. É na carne que se encarna a revelação. Revela porque se lugariza, salta dos conceitos para os dizeres inexprimíveis. Não se sabe de onde vem, nem para onde vai. Visita recônditos desconhecidos da alma. Transcende, produz discernimentos, dá sentido na percepção do significado de cada momento, e se imanentiza. Pacifica sem, muitas vezes, permitir explicações.

Revelação é Deus em nós, como o é o Filho do Homem.

Sem sagrado, a Bíblia passa a ser o que é: escoadouro e não cisterna, parte e não todo, meio e não fonte do Verbo. 

Antes disso, o que se tem é o progressivo endurecimento da mente, que se aprisiona entre as estruturas erguidas por séculos de discussões, elucubrações e máximas elevadas à categoria de regras de fé, verdadeiras pedras de ornamento nas catedrais teológicas que se impõem como “ponte-óculos” ao leitor das Escrituras.

Leitor que hoje dispõe de formatos os mais variados, indo da textura da capa ao tipo de estudo nela vendido, parte da estratégia de mercado do misericordioso comércio da palavra de Deus das Sociedades Bíblicas.

O que disso se produz é o sagrado, o culto aos símbolos sacros. O sagrado mantém a diferença entre o objeto e o indivíduo, exige os ritos e preparações, elege estamentos e gradações de saber, e por fim, determina as doutrinas e os doutos. O sagrado nada mais é que sacrifício de touros e bodes, que separa os sacerdotes do povo, e mantém Deus distante.

Nisto se manifestou o Filho, a expressão da glória do Pai. Deus não somente para a carne, mas na própria carne, para que também seja encarnado em qualquer um. Deus, não de estruturas de religiosidade, seja lá sob que manto de piedade se apresentem na história. Não sagrado, mas sacrificado para ser revelado em nós, que é O Cristo. O que derruba a separação, desfaz a distância, tabernacula-nos e, vivendo em nós, é para nós a esperança da glória que Ele mesmo nos revela. 

Quando a Bíblia não é sagrada, salta da estante. Sopra sobre ela a Palavra. Vira espada levada na boca ao deserto, para enfrentar a morte, sem precisar ser folheada. Se inscreve no coração, pra ser lida pelos homens em nossos atos de amor, os verdadeiros capítulos e versículos de vida. É o Espírito do evangelho que a traduz, posto que o evangelho é Jesus, interpretando suas próprias palavras com sua própria vida.

A Bíblia é o livro, as Escrituras são os textos, mas Jesus é a Palavra.

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